O Banco Central reduziu novamente a taxa básica de juros da economia brasileira. Na reunião realizada em 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, por unanimidade, cortar a Selic de 14% para 13,75% ao ano.Foi o quinto corte consecutivo em 2026. A taxa, que iniciou o ano em 15%, passou por reduções graduais ao longo dos últimos meses.
A decisão ocorre em um cenário de desaceleração da inflação e também de moderação da atividade econômica. Apesar disso, o Banco Central mantém cautela: as expectativas de inflação continuam acima da meta, e o cenário fiscal e internacional ainda representa riscos para a economia.
O que a queda da Selic pode mudar?
A redução dos juros tende a diminuir gradualmente o custo do crédito para empresas e consumidores, favorecendo financiamentos, investimentos produtivos e o consumo.
Para as empresas, juros menores podem facilitar a tomada de crédito e reduzir o custo financeiro. Para investidores, porém, a queda da Selic também significa uma redução gradual da rentabilidade de investimentos diretamente ligados à taxa básica de juros.
O efeito não acontece imediatamente e varia de acordo com cada modalidade de crédito e investimento.
Mercado espera novos cortes. Após a decisão do Copom, as projeções do mercado passaram a apontar para uma Selic próxima de 13,5% ao ano no final de 2026, considerando possíveis cortes nas reuniões de novembro e dezembro.
A ata da reunião de setembro, prevista para ser divulgada nesta terça-feira (22), deverá trazer mais detalhes sobre os próximos passos do Banco Central.
O risco da incerteza fiscal
Um dos pontos de atenção para a continuidade da redução dos juros é a situação das contas públicas. Caso o mercado perceba aumento dos riscos fiscais, isso pode pressionar as expectativas de inflação, os juros futuros e o câmbio, dificultando a continuidade do processo de redução da Selic. O próprio Copom afirma que acompanha os efeitos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros.
Análise de Elton Rodrigues, empresário e investidor
Para Elton Rodrigues, empresário, investidor e idealizador do Grupo E R e Grupo RSC, a redução dos juros pode criar oportunidades, mas precisa estar acompanhada de responsabilidade fiscal.
“A queda da Selic pode ajudar a movimentar a economia, reduzir o custo do crédito e estimular investimentos. Mas a eficácia desse processo depende também de o governo manter o controle dos gastos públicos e transmitir segurança sobre a sustentabilidade das contas públicas. Sem estabilidade fiscal, o benefício de juros menores pode ser limitado no longo prazo.”
O cenário, portanto, combina uma Selic em trajetória de queda com a necessidade de acompanhamento da inflação, das contas públicas e do ambiente internacional. A próxima reunião do Copom será acompanhada de perto pelo mercado, principalmente para identificar se o ciclo de cortes terá continuidade.
